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FUNDAÇÃO de PORTUGAL Portugal, desde seus Primórdios, teve que lutar muito para ser Independente... Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

FUNDAÇÃO de PORTUGAL
Portugal, desde seus Primórdios, teve que lutar muito 
para ser Independente...
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

O testamento de Afonso Henriques, primeiro rei do primeiro país europeu a adquirir consciência da nacionalidade, prova que ele foi um verdadeiro estadista. Deixou sua imensa fortuna (que se confundia com o próprio Tesouro português) para o fortalecimento de Portugal.
D. Afonso Henriques, já senhor do poder após a vitória da Batalha de São Mamede (*), como resposta ao cerco de Guimarães e no desejo de alcançar a independência do Reino Portucalense, invadiu a Galiza e derrotou os leoneses na Batalha de Cerneja (**), em 1137.
(*)Batalha de São Mamede
A Batalha de São Mamede foi uma batalha travada a 24 de Junho de 1128, entre Dom Afonso Henriques e as tropas de sua mãe, D. Teresa e do conde galego Fernão Peres de Trava, que se tentava apoderar do governo do Condado Portucalense. As duas facções confrontaram-se no campo de São Mamede, perto de Guimarães.
Com a derrota, D. Teresa e Fernão Peres abandonaram o governo condal, que ficaria agora nas mãos do infante e seus partidários, desagradando o bispo de Santiago de Compostela, Diogo Gelmires, que cobiçava o domínio das terras. D. Teresa desistia assim das ambições de ser senhora de toda a Galiza. Existem rumores não confirmados que ela tenha sido aprisionada no Castelo de Lanhoso. Há até quem relate as maldições que D. Teresa pregou ao seu filho Henrique.
(**)Batalha de Cerneja: foi renhida. Graças à unidade do comando e, porventura, às posições escolhidas pelo infante (pois a peonagem dos concelhos, entrando na sua hoste em grande quantidade, dava já grande importância às condições do terreno), a vitória coube aos Portugueses.  Fernão Peres de Trava conseguiu fugir; Rodrigo Vale chegou a ser feito prisioneiro, tendo-lhe valido a coragem de dois dos seus homens de armas para recobrar também a liberdade. Ao derrotar na Galiza as forças que pretendiam submetê-lo, Afonso Henriques consolida a sua posição tendente para a independência. Quatro anos mais tarde será Rei de Portugal.
 

Notando, porém, que os mouros atacavam pelo Sul os seus domínios, viu-se obrigado, no mesmo ano a pedir a paz (*) a Afonso VII de Leão (**), em condições desvantajosas.
(*) Paz de Tui: D. Afonso Henriques, tinha de desenvolver um conflito em três frentes adversas: os Mouros, a Sul do território, os Galegos/Leoneses, a Norte e Este e, por fim, a Santa Sé, autoridade indiscutível a quem o reconhecimento do poder temporal, naquelas épocas, se ficava a dever. O alcance do seu objetivo dependia da boa ou má articulação que fosse capaz de fazer destes fatores.
Em seguida, organizou as suas tropas e correu ao Alentejo a defender as suas fronteiras ameaçadas pelos mouros. A 25 de Junho de 1130, encontrou-se em Ourique (***) com um poderoso exército de mouros, comandados por cinco reis mouros, que os derrota completamente.

(***)Afonso VII de Leão e Castela, o Imperador (Caldas de Reis, 1 de Março de 1105 - Viso del Marqués?, 21 de Agosto de 1157), foi o primeiro rei da casa de Borgonha na Espanha: rei da Galiza a partir de 1111, rei de Leão a partir de 1126, rei de Castela e de Toledo a partir de 1127, e imperador da Hispânia a partir de 1135.
Batizado como Afonso Raimundes, era filho da rainha Urraca de Leão e Castela e de Raimundo de Borgonha. O seu reinado, o primeiro da dinastia de Borgonha nesses reinos, caracterizou-se pela tentativa de hegemonia de toda a Península Ibérica, fracassada pela independência de Portugal, pela criação da Coroa de Aragão e pela resistência moura ao invasor cristão.
Rei de Galiza, Leão e Castela
Em 1111 Afonso foi coroado rei da Galiza pelo bispo Diego Gelmírez e pelo conde de Trava, pai de Fernão Peres de Trava, na catedral de Santiago de Compostela. Apesar de ser uma criança na altura, esta terá sido a forma de D. Urraca, então num casamento conflituoso com Afonso I de Aragão, tentar assegurar que o seu filho lhe sucederia.
A 10 de Março de 1126, depois da morte da sua mãe, Afonso foi coroado rei de Leão e imediatamente começou o conflito com o Batalhador pela posse do reino de Castela, que recuperou pelas Pazes de Támara (1127).
Por esta altura, Afonso teve de enfrentar várias rebeliões nos territórios mais próximos a Aragão, devido à autonomia obtida por estes durante o reinado de D. Urraca e, em 1128 casou-se com Berengária de Barcelona, filha do conde Raimundo Berengário III de Barcelona e da condessa Dulce de Geuvadun da Provença, e irmã de Raimundo Berengário IV de Barcelona.
Império hispânico
Quando o seu rival Afonso I de Aragão e Navarra morreu em 1134, deixou os seus reinos em testamento às ordens militares, o que não agradou à nobreza de ambos. Garcia VI foi eleito rei de Navarra e, apesar de Afonso VII ser um pretendente a essa coroa, os nobres de Aragão escolheram Ramiro II.
Afonso VII respondeu com a ocupação de La Rioja e a conquista de Saragoça que, a partir deste momento tem o seu brasão integrado no do Reino de Leão. Após várias escaramuças, Afonso derrotou o exército navarro-aragonês, submeteu os reinos à vassalagem e, apoiado por nobres do norte dos Pirenéus controlou grandes territórios do sul da França até ao rio Ródano.
Na sua política para o leste da Península Ibérica também ajudou Raimundo Berengário IV, conde de Barcelona, na sua luta contra os condados catalães, obtendo a sua vassalagem e unificando a Marca Hispânica.
Uma antiga tradição atribuía o título de imperador ao soberano de Leão. Sancho, o Grande considerava a cidade imperiale culmen e, depois de ser coroado nesta, cunhou moeda com a inscrição Imperator totius Hispaniae. Este soberano era considerado o descendente direto dos reis visigodos, representantes eles mesmos do Império Romano. Mas apesar de este título ser usado no rol dos governantes de Leão, particularmente por Afonso VI de Castela e por Afonso, o Batalhador, era considerado pouco mais que um embelezamento honorífico.
Em 1135 Afonso VII fez-se coroar imperador, na catedral de Leão, pelo papa Gregório VII, tendo os vários reis peninsulares, com a exceção de D. Afonso Henriques, lhe prestado vassalagem. Expressava assim a sua pretensão à hegemonia da Península Ibérica e à exclusividade da Reconquista.
Mas em 1143 foi forçado a reconhecer pelo Tratado de Zamora a independência de Portugal sob D. Afonso Henriques, e também o casamento de Raimundo Berengário IV de Barcelona com Petronila de Aragão, que uniu o Reino de Aragão com os condados da Catalunha, criando a Coroa de Aragão. Com este último assinaria em 1151 o Tratado de Tudilén, que estabelecia os limites da reconquista para os dois estados.
 Reconquista: Afonso era um rei devoto. Trouxe a Ordem de Cister para o seu reino com a fundação de um mosteiro em Fitero, e desejava expulsar os mouros da Península Ibérica.
Desde 1139, Afonso VII empreendia expedições e saques contra os povoados almorávidas, com o objetivo de provocar a revolta destes. Chegou a Córdoba em 1144 mas, a partir da invasão dos almóadas em 1146, foi obrigado a formar um pacto com o soberano almorávida e a fortificar a fronteira contra o novo poder mouro.
Depois de o papa Eugénio III convocar a Segunda Cruzada em 1145, Afonso VII, em coligação com o Reino de Aragão e Navarra e com o Condado de Barcelona, tomou Almeria em 1147, o primeiro porto mediterrânico de Castela.
Morte: Em 1157 os almóadas recuperaram Almeria. Afonso VII voltava de uma expedição contra o inimigo mouro quando morreu em 21 de Agosto de 1157, no regresso a Leão. Pensa-se que tenha passado a noite em Viso del Marqués e morrido ali.
É curioso que o poderoso rei que pretendia a unificação da Península Ibérica, depois de falhar em tantas frentes - independência de Portugal, surgimento da Coroa de Aragão, subida ao poder dos aguerridos almóadas, sucedendo ao enfraquecido poder almorávida - acabou por dividir o seu reino entre os seus dois filhos, legando Castela ao primogénito Sancho e Leão a Fernando.
(***)Batalha de Ourique: Origem: A Batalha de Ourique desenrolou-se muito provavelmente nos campos de Ourique, no actual Baixo Alentejo (sul de Portugal) em 1139 - significativamente, de acordo com a tradição, no dia de Santiago, que a lenda popular tinha tornado patrono da luta contra os mouros; um dos nomes populares do santo, era precisamente Matamouros.
Foi travada numa das incursões que os cristãos faziam em terra de mouros para apreenderem gado, escravos e outros despojos. Nela se defrontaram as tropas cristãs, comandadas por D. Afonso Henriques, e as muçulmanas, em número bastante maior.
Inesperadamente, um exército mouro saiu-lhes ao encontro e, apesar da inferioridade numérica, os cristãos venceram. A vitória cristã foi tamanha que D. Afonso Henriques resolveu autoproclamar-se Rei de Portugal (ou foi aclamado pelas suas tropas ainda no campo de batalha), tendo a sua chancelaria começado a usar a intitulação Rex Portugallensis (Rei dos Portucalenses ou Rei dos Portugueses) a partir 1140 - tornando rei de facto, embora a confirmação do título de jure pela Santa Sé date apenas de Maio de 1179.
A ideia de milagre ligado a esta batalha surge pela primeira vez no século XIV, muito depois da batalha. Ourique serve, a partir daí, de argumento político para justificar a independência do Reino de Portugal: a intervenção pessoal de Deus era a prova da existência de um Portugal independente por vontade divina e, portanto, eterna.
A lenda narra que, naquele dia, consagrado a Santiago, o soberano português teve uma visão de Jesus Cristo e dos anjos, garantindo-lhe a vitória em combate. Contudo, esse pormenor foi interposto mais tarde na narrativa, sendo praticamente decalcado da narrativa da Batalha da Ponte Mílvio, opondo Maxêncio a Constantino o Grande, segundo a qual Deus teria aparecido a este último dizendo IN HOC SIGNO VINCES (latim, «Com este sinal vencerás!»).
Este evento histórico marcou de tal forma o imaginário português, que se encontra retratado no brasão de armas da nação: cinco escudetes (cada qual com cinco besantes), representando os cinco reis mouros vencidos na batalha.
 O local da peleja: Não há consenso entre os estudiosos acerca do local exato onde se travou a batalha de Ourique.
A mais antiga descrição da batalha figura na Crónica dos Godos sob a entrada dos acontecimentos da Era Hispânica de 1177 (1139 da Era Cristã).
Séculos mais tarde, um dos primeiros autores a abrir a polêmica sobre a autenticidade das narrativas foi Alexandre Herculano quando, ao afirmar que “Ourique não passa de uma lenda”, foi acusado de anticlericalismo.
Contemporaneamente, outros historiadores, entre eles José Hermano Saraiva, voltaram a abordar e a reinterpretar essa questão.
Entre as teorias consideradas, citam-se:
Hipótese de Ourique (Baixo-Alentejo), outrora conhecida como «Campo d'Ourique»: mais ou menos equidistante entre Évora e Silves, é a hipótese tradicionalmente sustentada. À época, o poder Almorávida estava em fragmentação na península Ibérica, e o território correspondente ao moderno Portugal, ainda em mãos muçulmanas, encontrava-se repartido em, pelo menos, quatro taifas, sediadas respectivamente em Santarém, Évora, Silves, e Badajoz. Neste cenário, uma razia do infante D. Afonso Henriques que incidisse numa zona tão a sul como o Baixo Alentejo, não seria, de todo, improvável, uma vez que era durante os períodos de maior discórdia entre os muçulmanos que as fronteiras cristãs mais progrediam para o Sul. Nesse sentido, a razia que seu filho, o infante D. Sancho, fez em 1178 a Sevilha, acha-se bem documentada, demonstrando na prática, a possibilidade de se percorrer uma distância tão significativa em território hostil.
Hipótese de Vila Chã de Ourique (c. 15 km do Cartaxo), no Ribatejo; a sua localização era ocidental demais para atrair o interesse e as forças do emir de Badajoz, o mais forte dos quatro supramencionados.
Hipótese de Campo de Ourique (c. 7 km de Leiria), na Estremadura: tal como no caso de Vila Chã, a sua localização era próxima demais ao litoral para atrair da mesma forma o interesse e as forças do emir de Badajoz;
Hipótese de Campo de Ourique (Lisboa): Presente no imaginário popular, sem qualquer fundamentação.
Hipótese de Aurélia (possivelmente, a moderna Colmenar de Oreja, próxima a Madrid e Toledo): Há quem defenda uma confusão entre Ourique (Aurik) e Aurélia (Aureja, com o "j" aspirado como em castelhano), aumentando a dúvida sobre a localização da batalha. É possível que tivesse havido um plano acordado entre Afonso Henriques e o rei de Leão e Castela, Afonso VII; embora inimistados dois anos antes em na batalha de Cerneja, a guerra ao inimigo comum (o Islão) constituía uma razão forte o suficiente para suscitar um entendimento entre ambos os soberanos cristãos, no sentido de este último poder atacar a fortaleza de Aurélia. Para evitar ser cercado pelo inimigo muçulmano, Afonso VII teria pedido ao primo D. Afonso Henriques que providenciasse uma manobra diversionista, que passaria por esta incursão portuguesa no Alentejo, e que forçaria os emires das taifas do Gharb al-Andalus a combatê-la em autodefesa. Com isso, Afonso VII esperava ter a sua retaguarda livre para atacar Aurélia, confiante em uma rendição rápida, dada a impossibilidade de resposta do inimigo, ocupado com a manobra dos portugueses.
De qualquer modo, como consequência, quando o Cardeal Guido de Vico, emissário do Papa, reuniu D. Afonso Henriques e Afonso VII em Zamora (1143), para tentar convencê-los que a animosidade entre ambos favorecia os infiéis, o soberano português escreveu ao Papa Inocêncio II, reclamando para si e para os seus descendentes, o status de «censual», isto é, dependente apenas de Roma, invocando para esse fim o «milagre de Ourique», o que ocorrerá apenas em 1179. Entretanto, naquele encontro, pelo tratado então firmado (Tratado de Zamora), Afonso VII considerou D. Afonso Henriques como igual: afirmava-se a independência de Portugal. Nesta batalha combateu e foi ordenado Cavaleiro o futuro Grão-Mestre da Ordem dos Templários, Dom Gualdim Pais, fundador das cidades de Tomar e Pombal.

Afonso Henriques, que já se intitulava rei de Portugal, marchando em seguida sobre o Norte, invadiu novamente a Galiza, em 1140, para anular a Paz de Tui. Afonso VII de Leão, respondeu a esta afronta, invadiu por sua vez os territórios do Condado, avançando até junto de Arcos de Valdevez. Travou-se então um torneio (*) em que os portugueses saíram vencedores.
(*)Na primavera de 1141, os exércitos de Afonso Henriques e Afonso VII de Castela e Leão, seu primo, encontram-se algures no Vale do Vez, protagonizando um dos momentos mais marcantes da História nacional: O Recontro de Valdevez.
Inicialmente tido como uma batalha quase certa, fruto de uma incursão intrusiva do jovem rei português em território galego, o momento acabou por ser reduzido a um “bafordo”, uma espécie de torneio medieval representativo da destreza dos cavaleiros envolvidos, cujo resultado da contenda era normalmente aceite por ambas as partes, evitando um desnecessário derramamento de sangue. Assim aconteceu em Valdevez: os dois primos acordam uma convivência pacífica, numa lição inteligente de diplomacia e bom senso, bases fundamentais para o início da consolidação do futuro reino de Portugal e, sobretudo, de união face ao rápido avanço árabe no Sul.

Então, o rei de Leão, propôs a paz, tendo sido combinado um convénio, de que resultou o Tratado de Samora (*), em 1143. Com a protecção do Cardeal Guido de Viço (**), foi reconhecido por este tratado o título de rei a D. Afonso Henriques, e o Condado Portucalense era, por fim, declarado independente com o nome de Portugal.
(*) Tratado de Zamora: Por influência da Santa Sé, que enviou à Península o cardeal Guido de Vico, o rei de Leão e Castela reconheceu a nossa independência pelo Tratado de Samora, assinado em 5 de Outubro de 1143.
O Tratado de Zamora foi o resultado da conferência de paz entre Afonso Henriques e o rei Afonso VII de Castela e Leão, a 5 de Outubro de 1143, marcando geralmente a data da independência de Portugal e o início da dinastia afonsina. Vitorioso em Ourique, em 1139, Afonso Henriques beneficiou da acção desenvolvida, em favor da constituição do novo reino de Portugal, pelo arcebispo de Braga, Dom João Peculiar. Este procurou conciliar os dois primeiros e fez com que eles se encontrassem em Zamora nos dias 4 e 5 de Outubro de 1143, com a presença do cardeal Guido de Vico.
A soberania portuguesa, reconhecida por Afonso VII em Zamora, só veio a ser confirmada pelo Papa Alexandre III em 1179, mas o título de Rei de Portugal, que Afonso Henriques usava desde 1140, foi confirmado em Zamora, comprometendo-se então o monarca português, ante o cardeal Guido de Vico, a considerar-se vassalo da Santa Sé, obrigando-se, por si e pelos seus descendentes, ao pagamento de um censo anual.
Em Zamora, revogou-se o anterior Tratado de Tui, de 1137.
Em 1143 faz-se o Tratado de Zamora assinado entre o rei D. Afonso Henriques e D. Afonso VII, que vai reconhecer que o condado portucalense passa a ser reino e Afonso Henriques passa a ser o rei ou “rex”. D. Afonso VII reconhece a independência, mas Afonso Henriques continua a ser seu vassalo, porque D. Afonso VII para além de ser rei de Leão e Castela é Imperador de toda a Hispânia. A partir de 1143 D. Afonso Henriques vai enviar remissórias declarando-se seu vassalo lígio e comprometendo-se a enviar anualmente uma determinada quantia de ouro. As negociações vão durar vários anos, de 1143 a 1179. Em 1179 o Papa Alexandre III envia a Afonso Henriques a “Bula Manifestis Probatum“, neste documento reconhece-se definitivamente a independência do reino de Portugal sem vassalagem em relação a D. Afonso VII de Leão e Castela e Afonso Henriques como primeiro rei de Portugal, ou seja, D. Afonso I de Portugal.
Guido de Vico (em italiano Guido da Vico; Pisa, ? - 15 de Agosto de 1150), foi um religioso italiano, cardeal da Igreja Católica e legado pontifício à Península Ibérica.
O Papa Inocêncio II fê-lo cardeal-diácono em 1130, com o título dos Santos Cosme e Damião. Em 1143, ante as incessantes disputas entre Afonso VII de Leão e Castela, imperador das Espanhas, e seu primo Afonso Henriques, autoproclamado rei de Portugal desde a sua esmagadora vitória na Batalha de Ourique, quatro anos antes, o Papa enviou Guido como legado da Santa Sé à Península Ibérica, a fim de acabar com as dissensões entre os cristãos - o que apenas contribuiria para enfraquecer a sua posição face aos muçulmanos do Al-Andalus. Por meio de uma conferência realizada na cidade leonesa de Zamora, nos dias 4 e 5 de Outubro de 1143, chegou-se enfim a um acordo, mediado pelo cardeal de Vico: Afonso VII reconhecia, tacitamente, o título de rei ao primo (julgando ser possível ainda invadir e aniquilar o reino nascente em ocasião mais oportuna), mediante o seu reconhecimento, por parte de Afonso Henriques, como Imperador das Espanhas e, como tal, dentro da escala hierárquica do feudalismo, seu suserano (de resto, à semelhança dos demais soberanos cristãos da Ibéria, que já lhe haviam prestado menagem como imperador). Para acentuar o carácter feudo-vassálico da relação, o imperador cedia ao primo a posse da fortaleza de Astorga, que constituía assim o vínculo formal da vassalidade que lhe era devida. O rei português, contornou a situação de dependência a que ficava sujeito face a Castela, fazendo-se vassalo de São Pedro, isto é, da Santa Sé, pagando-lhe um tributo anual de quatro onças de ouro e a promessa de defender a cristandade e o Papa dos Infiéis. Isto conferia-lhe a vantagem de se colocar sobre a proteção da mais respeitada instituição do Ocidente cristão medieval (e desligar-se assim da obediência formal ao imperador castelhano, dado colocar-se debaixo da proteção de um suserano ainda mais elevado), e, ao mesmo tempo, dada a sua distância face a Roma, ter margem de manobra suficientemente lata para acabar por se eximir ao pagamento do tributo. De qualquer forma, o papa não lhe reconheceria o título de rei acordado entre os dois Afonsos e o cardeal Guido de Vico, mas apenas o de dux (o de rei chegaria apenas trinta e seis anos mais tarde, em 1179).
Guido de Vico regressou depois a Itália, onde deverá ter falecido em 1150.

Sem a preocupação das lutas com o rei de Leão, o fundador de Portugal, voltou para as conquistas aos mouros, para dilatar o seu rei. Assim, conquistou-lhe as praças de Santarém (*) e de Lisboa (**), em 1147
(*) Conquista de Santarém aos mouros ( Lendas e Narrativas de Alexandre Herculano)
Muito antes de fundada a nossa Nacionalidade, foi a terra que a partir do ano 653 da nossa era se chamou Santarém, possuída por diversos povos. Pelo ano de 1147 achava-se em poder dos mouros (ocupantes do Norte de África) e era considerada uma das mais importantes povoações de toda a Lusitânia, defendida por altas e poderosas muralhas. D. Afonso Henriques cobiçava-a, e um dia, em Coimbra, revelou os seus projetos de conquista a alguns fidalgos da sua Corte, que logo contrariaram quanto puderam a aspiração do rei, alegando, entre outras razões, que santarém era praça forte de mais para se deixar vencer por um pequeno número de soldados.
D. Afonso Henriques pareceu esquecer-se de tal empresa mas, porque os mouros de Santarém não cessavam de assaltar terras portuguesas, o rei quis vingar tais afrontas, e, a pretexto de celebrar pazes com os mouros, mandou a Santarém o fidalgo Mem Ramires, secretamente encarregado de escolher o melhor local para um futuro assalto à importante terra mourisca.
Mem Ramires desempenhou-se, como um leal fidalgo, da missão que lhe havia sido confiada; e, pouco tempo depois, contava ao rei tudo o que vira, e punha tais facilidades na guerreira empresa que não teve dúvida em prometer que seria ele o primeiro a arvorar sobre os muros da praça a real bandeira portuguesa.
Foi então que D. Afonso Henriques se decidiu à conquista. Sem dar conta a ninguém dos seus planos, partiu de Coimbra com os seus homens de armas, sem aparato, a uma segunda-feira, 3 de Maio de 1147, e, seguindo sempre pelos caminhos menos concorridos, chegaram a quinze quilómetros para o Norte da terra apetecida.
Foi aí que o primeiro rei de Portugal, possuído do maior entusiasmo contou aos que o acompanhavam o propósito em que estava de, no dia seguinte, ir a Santarém. Alguns fidalgos lembraram então ao rei a conveniência de não se expor aos perigos dos combates, mas, D. Afonso Henriques, como resposta, foi-lhes dizendo que a conquista se faria ou ele não sairia vivo da batalha.
Dispôs-se tudo para o assalto: construíram-se doze escadas de madeira e combinou-se que por elas subiriam 120 soldados, naquela memorável noite de Sábado, dia 8 de Maio de 1147.
Aproximaram-se os portugueses das muralhas, no alto das quais duas sentinelas mouras se encontravam vigilantes. Esconderam-se os portugueses no meio de uma seara de trigo, à espera de que adormecessem as sentinelas, e, de madrugada, Mem Martins trepou ao telhado da casa de um oleiro, encontrada à muralha e tentou subir por uma escada, mas esta caiu com estrondo e as sentinelas acordaram.
Mem Ramires não desistiu, e, ajudado por um soldado, conseguiu subir. A sentinela perguntou quem estava ali, e ele respondeu, em língua moura, que era dos homens que andavam rondando...
Daí a pouco a sentinela era morta e a sua cabeça atirada para fora da muralha por Mem Ramires. A outra sentinela dava o alarme e, sem demora, dez soldados cristãos travavam renhida luta com os mouros. Entretanto outros iam subindo, enquanto Mem Ramires corria, com cinco companheiros, a despedaçar as portas, com um maço de ferro que de fora lhe atiraram. O rei e as tropas que ainda não tinha podido trepar pelas escadas, entraram, de roldão, na praça e a carnificina foi terrível.
Horas depois, Santarém estava tomada, para não mais voltar à posse dos mouros.
(**)A conquista de Lisboa aos Mouros começou a ser planeada logo após a Tomada de Santarém, a 15 de Março.
No entanto, só foi consumada a 24 de Outubro, consequência dos grandes confrontos que se deram entre o exército português, comandado por Afonso Henriques e auxiliado por Ingleses, Normandos, Aquitanos, Flamengos e Alemães e os Almocadéns mouros que ocupavam o Burgo. Foram realizados contínuos ataques e contra-ataques contra os Mouros, foram construídas poderosas máquinas de expugnação. Mas, quando já o desânimo se apoderava dos Cruzados, soubesse por um prisioneiro mouro que dentro das muralhas de Lisboa, os sitiados na praça, extenuados, sem víveres, sem munições, chegavam ao limite das suas resistências. Foram então redobradas as investidas e tomado o burgo de Lisboa a 24 de Outubro.
Tomada de Lisboa aos Mouros em 1147 - http://revelarlx.cm-lisboa.pt/gca/index.php?id=1043
O Papa Eugénio III e São Bernardo de Claraval, na Basílica de Vézelay ao pregarem uma segunda cruzada em 1146 preveem a tomada de novas cidades como Lisboa, que se encontrava sob o domínio mouro tornando-se assim necessária a sua conquista aos infiéis. Lisboa ponto geográfico e fulcral para a conquista do sul do país, constituía uma etapa importante na expansão da Reconquista Cristã na Península Ibérica.
Consciente do desafio, D. Afonso Henriques iniciou a tomada de Lisboa com um cerco posto em prática em Julho de 1147, pouco depois da conquista de Santarém, contando para isso com o apoio dos Templários e dos Cruzados normandos, ingleses, escoceses, flamengos e alemães que haviam sido contactados pelo Bispo do Porto, D. Pedro, para angariarem as tropas cristãs no cerco a esse importante baluarte mouro. Em simultâneo, foi concebida uma estratégia no ataque e construíram-se as máquinas específicas para a batalha: catapultas e uma torre para facilitar a entrada e a conquista da cidade.
Nos primeiros dias de Julho tiveram lugar os primeiros ataques. Pedras e azeite a ferver foram atirados para o interior das muralhas e ao provocarem as primeiras destruições revelaram ao rei português, um inimigo enfraquecido pela falta de víveres e recursos que evitassem uma eminente capitulação.
As sucessivas investidas que se deram entre Agosto e Setembro foram suficientes para a tomada definitiva de Lisboa em 24 de Outubro de 1147, mas foi nos dias 17 a 21 desse mês que os ataques contínuos provocaram a derrocada da muralha oriental, junto das Portas do Sol, cedendo também a porta que mais tarde se chamaria de Martim Moniz.  O nome foi atribuído em memória da alusiva lenda do fidalgo português, que sacrificou a sua vida, bloqueando com o seu corpo uma porta das muralhas para dar entrada ao exército da Cruzada, ajudando desta forma a tomada da cidade.
No dia 25, D. Afonso Henriques fez a sua entrada solene na cidade de Lisboa, percorrendo a zona de Alfama, Arco Escuro, a Sé, antiga mesquita, onde foi rezada a primeira missa, e  por fim o Castelo, anunciando a hegemonia e o triunfo cristão.
A tomada de Lisboa e sucessivamente de Almada, Palmela e Sintra provocaram a conquista em definitivo da linha do Tejo, em Dezembro de 1147.
O cerco de Lisboa, com início a 1 de Julho de 1147 e que durou até 25 de Outubro, e foi um episódio integrante do processo de Reconquista cristã da península Ibérica, culminando na conquista desta importante cidade aos mouros pelas forças de D. Afonso Henriques (1112-1185) com o auxílio dos Cruzados em trânsito para o Médio Oriente. Efetivamente, este episódio constituiu o único sucesso da Segunda Cruzada.
Após a queda de Edessa, em 1144, o Papa Eugénio III convocou uma nova cruzada para 1145 e 1146. O Papa ainda autorizou uma cruzada para a Península Ibérica, embora esta fosse uma guerra desgastante de já vários séculos, desde a derrota dos Mouros em Covadonga, em 718. Nos primeiros meses da Primeira Cruzada em 1095, já o Papa Urbano II teria pedido aos Cruzados ibéricos (futuros Portugueses, Castelhanos, Leoneses, Aragoneses, etc.) que permanecessem na sua terra, já que a sua própria guerra era considerada tão valente como a dos Cruzados em direção a Jerusalém. Eugénio reiterou a decisão, autorizando Marselha, Pisa, Génova e outras grandes cidades mediterrânicas a participar na guerra da Reconquista.
A 19 de Maio zarparam os primeiros contingentes de Cruzados de Dartmouth, Inglaterra, constituídos por Flamengos, Normandos, Ingleses, Escoceses e alguns cruzados Germanos. Segundo Odo de Deuil, perfaziam no total 164 navios — valor este provavelmente aumentado progressivamente até à chegada a Portugal. Durante esta parte da Cruzada, não foram comandados por nenhum príncipe ou rei; a Inglaterra estava em pleno período d'A Anarquia. Assim, a frota era dirigida por Arnold III de Aerschot (sobrinho de Godofredo de Louvaina), Christian de Ghistelles, Henry Glanville (condestável de Suffolk), Simon de Dover, Andrew de Londres, e Saher de Archelle.
A armada chegou à cidade do Porto a 16 de Junho, sendo convencidos pelo bispo do Porto, Pedro II Pitões, a tomarem parte nessa operação militar. Após a conquista de Santarém (1147), sabendo da disponibilidade dos Cruzados em ajudar, as forças de D. Afonso Henriques prosseguiram para o Sul, sobre Lisboa.
As forças portuguesas avançaram por terra, as dos Cruzados por mar, penetrando na foz do rio Tejo; em Junho desse mesmo ano, ambas as forças estavam reunidas, ferindo-se as primeiras escaramuças nos arrabaldes a Oeste da colina sobre a qual se erguia a cidade de então, hoje a chamada Baixa. Após violentos combates, tanto esse arrabalde, como o a Leste, foram dominados pelos cristãos, impondo-se dessa forma o cerco à opulenta cidade mercantil.
Bem defendidos, os muros da cidade mostraram-se inexpugnáveis. As semanas se passavam em surtidas dos sitiados, enquanto as máquinas de guerra dos sitiantes lançavam toda a sorte de projéteis sobre os defensores, o número de mortos e feridos aumentando de parte a parte.
No início de Outubro, os trabalhos de sapa sob o alicerce da muralha tiveram sucesso em fazer cair um troço dela, abrindo uma brecha por onde os sitiantes se lançaram, denodadamente defendida pelos defensores. Por essa altura, uma torre de madeira construída pelos sitiantes foi aproximada da muralha, permitindo o acesso ao adarve. Diante dessa situação, na iminência de um assalto cristão em duas frentes, os muçulmanos, enfraquecidos pelas escaramuças, pela fome e pelas doenças, capitularam a 24 de Outubro.
Entretanto, somente no dia seguinte, o soberano e suas forças entrariam na cidade, nesse meio tempo violentamente saqueada pelos Cruzados.
Decorrentes deste cerco surgem os episódios lendários de Martim Moniz, que teria perecido pela vitória dos cristãos, e da ainda mais lendária batalha de Sacavém.
Alguns dos Cruzados estabeleceram-se na cidade, de entre os quais se destaca Gilbert de Hastings, eleito bispo de Lisboa.
Após a rendição uma epidemia de peste assolou a região fazendo milhares de vitimas entre a população.
Lisboa tornou-se, entretanto, capital de Portugal a 1255.
Seguiram-se as conquista de Sintra (*), Almada e Palmela em 1148.
(*)A conquista de Sintra, propriamente dita, sofreu alguns avanços e recuos nesse período. Em 1093 Afonso VI de Leão e Castela já havia conquistado Sintra aos mouros, mas perdeu a vila em pouco depois, por força da queda de Lisboa nas mãos dos Almorávidas. Em 1108, o príncipe Sigurd, filho do rei Magnus da Noruega, de passagem em cruzada para a Terra Santa, desembarca na foz do rio das Maçãs e ataca o castelo de Sintra. E em 1109 ,D. Henrique , pai de D. Afonso Henriques, conquista de novo Sintra aos mouros, mantendo-se a vila, no entanto, por pouco tempo na posse dos cristãos.
Em 1147, na consequência da queda de Lisboa, é que Sintra se entrega às tropas de D. Afonso Henriques, sem guerra nem sangue. A vila passa, então, definitivamente para a posse dos cristãos.
Alcácer do Sal (*), em 1148.
(*) A lenda da Moura encantada é uma história de amor protagonizada por uma moura e por um cavaleiro, D. Gonçalo, que um dia chegou a Alcácer na busca de honra e serviço.
Segundo a lenda, uma menina moura terá ficado esquecida quando, na conquista de Alcácer por D. Afonso II, os mouros se puseram em debandada. Chamava-se Almira, foi recolhida no castelo e criada como cristã. Segundo a lenda, Almira era particularmente dotada para a música e para a poesia, e foi pela sua música e pela sua poesia que D. Gonçalo e Almira se viriam mais tarde a apaixonar.
"O resto não conta a lenda, mas diz quem sabe que em certas noites de luar de Agosto, ouvem-se sussurros dos dois amantes que eternamente se quiseram encantados nas muralhas da velha Salácia romana."
Beja (*), em 1162.
Conquista de Beja: À época da Reconquista cristã da península Ibérica, foi inicialmente conquistada pelas forças de D. Afonso Henriques (1112-1185) em 1159, para ser abandonada quatro meses mais tarde. Foi reconquistada de surpresa, por uma expedição de populares idos de Santarém, em princípio de Dezembro de 1162.
Nos anos que se seguiram, posteriormente à derrota daquele soberano no cerco de Badajoz (1169), o cavaleiro Gonçalo Mendes da Maia - o Lidador, já nonagenário, perdeu a vida na defesa das muralhas de Beja. Diante da falta de informações sobre o período posterior a essa data, os estudiosos acreditam que a grande ofensiva almóada de Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur (1191) até ao rio Tejo, após ter reconquistado Silves, compreendeu também a reconquista de Beja, permanecendo em poder dos cristãos apenas Évora, em todo o Alentejo. Supõe-se ainda que a povoação teria retornado a mãos portuguesas apenas entre 1232 e 1234, época em que as vizinhas Moura, Serpa e Aljustrel, documentadamente, retornaram.
Évora (*), em 1165
Conquista de Évora: À época da Reconquista cristã da península, Évora foi inicialmente tomada pelas forças de D. Afonso Henriques (1159). Retomada em pouco tempo pelos Muçulmanos, a sua conquista definitiva só seria alcançada pelo lendário Geraldo Sem Pavor (*), em 1165, com o auxílio dos primeiros cavaleiros da Ordem de Calatrava, fundada em Castela dois anos antes, e que, em Portugal, receberam o nome de Frades de Évora por aqui terem se estabelecido. Documentos indicam que já em 1181 estes monges-cavaleiros eram denominados como Ordem de Évora, vindo a se denominar, cerca de meio século mais tarde Ordem de Avis, quando elegeram aqueles domínios por sede.
(*) Geraldo Geraldes, personagem lendário na História de Portugal à época das lutas da Reconquista, posteriormente ficou conhecido pela alcunha de Geraldo Sem Pavor.
Personagem representativo do período de formação das fronteiras de Portugal, acredita-se que fosse um nobre de trato difícil, pelo que muito cedo abandonou o norte de Portugal para tentar a sorte no sul do país, nas lutas contra os Mouros. Nessa qualidade, liderou como um caudilho um bando de salteadores e aventureiros.
Aquando da conquista da região do Alentejo por D. Afonso Henriques e também da Estremadura espanhola, Geraldo Sem Pavor ofereceu-se como voluntário para tomar a cidade de Évora, bem como outras localidades vizinhas. Utilizando como base de operações o castro hoje conhecido como Castelo do Geraldo em Valverde e do qual existem algumas ruínas, introduziu-se nos muros da cidade, executando o governador mouro e entregando a praça ao soberano. De personalidade imprevisível, foi um dos principais entusiastas da tomada de Badajoz, campanha que, em 1169, viria a se revelar um desastre para as forças de D. Afonso Henriques em geral, e para as do próprio Geraldo em particular, que acabou por perder todas as suas terras excepto as do Castelo de Juromenha. Afirma a tradição que o espírito aventureiro deste nobre o levou a Ceuta, no Norte d'África, em missão de espionagem a serviço secreto de D. Afonso Henriques, que lhe havia recomendado a tomada daquela praça. Quando a verdadeira finalidade da operação foi descoberta, Geraldo morreu à mãos dos almóadas.
Moura (*), Serpa e Juromenha, em 1166
(*)Conquista de Moura: Na época da Reconquista cristã da península Ibérica, a povoação foi inicialmente conquistada, em 1166, pelos irmãos Pedro e Álvaro Rodrigues, vindo a receber Carta de Foral outorgada por D. Afonso Henriques (1112-1185) em 1171.

D. Afonso Henriques, que estava em paz com seu genro D. Fernando II, rei de Leão, quebrou-a, por tentar a conquista de Badajoz. Mas foi infeliz nesta empresa, tendo partido uma perna de encontro a uma das portas da cidade, pelo que ficou prisioneiro. D. Fernando II, porém, querendo ser generoso com o sogro, soltou-o pouco tempo depois, mediante o compromisso de restituição de todas as terras que ele havia conquistado na Galiza, em 1169.
O primeiro rei de Portugal, é uma personagem oculta por inúmeras e sucessivas camadas de interpretações ideológicas, quer eruditas quer populares, a figura verídica do nosso primeiro Rei só muito hipoteticamente se pode reconstituir nas suas dimensões históricas. O mito sobrepõe-se, teimosamente, à história. Mas pode-se tentar descobrir como nasceram as narrativas tecidas em torno da sua personalidade, examinar o sentido que tinham quando apareceram e reconstituir os sucessos de que Afonso Henriques foi protagonista principal.  Se não é possível traçar-lhe o retrato preciso, pode-se, ao menos, estudar as suas orientações políticas e administrativas, conhecer os seus principais auxiliares e justificar o êxito da sua obra.
Apesar de assim desaparecer o herói sobrenatural, toma inegável relevo o seu talento político e militar e, por conseguinte, o seu direito a ser de facto considerado o rei fundador de Portugal.(José Mattoso).
(Retirado do Abrupto.blogspot.com): "Há quem afirme que Afonso Henriques era um bastardo de Egas Moniz, seu pai verdadeiro. As deduções em volta deste boato são bastante significativas, pondo de parte favores dos santos e dos cronistas. Já do conde D. Henrique, que foi pai presumido de D. Afonso, a naturalidade é controversa. Uns dizem-no neto do conde Roberto de Borgonha; outros fazem-no proceder do rei da Hungria que seria o pai do dito D. Henrique, vindo a Espanha decerto em busca de glória e de fortuna. Em 1080 já estavam em Espanha três príncipes franceses, ao que parece na escolta da rainha D. Mafalda, mulher do rei D. Afonso, o sexto. Quando o conde D. Henrique entrou em Espanha o Governo de Portugal estava repartido por vários senhores, ditos cônsules; e as terras entre Douro e Mondego, mais aproximadas a mouros e suas companhias, eram governadas por um capitão chamado Sisnando. Foi do próprio D. Fernando de Castela que recebeu o senhorio de Coimbra e de todos os castelos e cidades em volta: Lamego até ao mar, o Rio Douro até aos limites na posse dos cristãos. O rei D. Afonso, passando a reinar por morte de D. Fernando, veio a confirmar todos os poderes de Sisnando, mais militar do que religioso, embora fosse suposto bispo de Iria. Era muito estimado dos mouros em Sevilha, onde vivia antes da conquista de Coimbra. No foral que D. Afonso, o sexto, deu a Coimbra, louva o capitão Sisnando como povoador e engrandecedor da cidade. Mercê da sua boa aliança com os mouros e passado entendimento sevilhano, Sisnando fez um governo pacífico e justo. No ano de 1080 mandou fazer a igreja de S. Martinho e seria decerto o mais importante dos senhores do estado de Coimbra. Uma profusão de casas aparentadas entre si, com títulos e grandeza de fundadores de conventos e igrejas, estendia-se pelas terras de Braga e Coimbra e constituía o quadro senhorial que o conde D. Henrique encontrou quando da sua entrada em Portugal. Em 13 de Fevereiro de 1095 o conde estava já casado com D. Teresa, filha do Rei D. Afonso. Tudo o que se pode averiguar dos factos históricos desses tempos é-nos oferecido por datas de escrituras, doações, batalhas e casamentos. O que importa realçar são as contradições que vêm a lume na multiplicidade dos papéis escritos. Confrontando datas, pode-se concluir que antes do fim do ano de 1094 o Conde D. Henrique não tinha senhorio em Portugal nem era casado.
O primeiro obstáculo ao senhorio de Portugal pelo casal D. Henrique e D. Teresa (Portugal foi-lhe dado em dote, antes disso na posse do conde D. Raimundo) foi levantado pela data de nascimento de D. Afonso Henriques, apontada para o ano de 1106 e não de 1094. O conde D. Henrique, seu pai, seria então homem maduro e, segundo as leis da longevidade, entrado em decrepitude, pelo que a teoria de o príncipe não ser seu filho tomou alento na continuidade da História.
Em primeiro lugar, facto que não se pode desdizer nem ocultar, D. Afonso nasceu estropiado. Era uma criança formosa e bem constituída, mas sofria duma anomalia, hoje operável, mas que no tempo era absolutamente incurável. Tinha as pernas coladas a partir dos joelhos, o que o tornava incapaz para o exercício das armas e montar a cavalo. Chegado aos cinco anos, esgotados decerto todos os tratamentos, aquele que reivindicara o lugar do seu aio, Egas Moniz, teve como solução encomendar a criança à proteção do Céu. No que foi atendido de maneira miraculosa. O menino apareceu escorreito e disposto a uma vida de agitação e conquista. A criança raquítica, embora bela e prendada de muitas graças, deu lugar a um guerreiro como não houve outro na nossa História. Dá para pensar que Egas Moniz o fez substituir por um dos seus próprios filhos ou filho dalgum rico-homem de pendão e caldeira, como se dizia.
Egas Moniz, de apelido o Gasto, casou com D. Toda Alboazar, de nome algo suspeito de arábico. A alcunha de Gasto seria antes Gasco, porque este Egas Moniz era filho de Moninha Viegas, capitão da Gasconha. Na Foz do Douro, digamos que nos penhascos do Porto, teve este grandes batalhas com os mouros. Egas Moniz, o Gasco, foi bisavô de Egas Moniz, o redentor do triste príncipe ao seu cuidado.
Esteve D. Teresa como rainha de Portugal dezasseis anos, depois da morte do conde D. Henrique. Ela sim, foi soberana, por contratos com sua irmã e doações de terras que afiançavam a paz. A D. Henrique nunca se reconheceu o título de rei, mas sua mulher, tornada à solteiria e com idade para se ver coroada e protegida de novos amores, deu em ser majestade e não súbdita até ao ano de 1128. Data em que D. Afonso Henriques entra a fazer-lhe guerra, teria ele vinte e dois anos. E, se nascido em 1106, trinta e quatro anos, o que parece pouco de acreditar. D. Teresa parece apaixonada e decidida a casar com o conde D. Fernando de Trastâmara, o que precipita a discórdia entre mãe e filho. É uma guerra ao estilo troiano, arrebatada e sensual. Salazar perguntava o que se há-se fazer dum país que começou com um filho a pôr a ferros a própria mãe. Candura extrema, que é a de acreditar que as ambições humanas não devoram o horror, para o fazer parecer santo. Enfim, o Trastâmara era uma realidade que puxava para Castela; e quem não há muito dela ganhara a liberdade, opunha-se a voltar aos preitos de vassalagem. Fosse ou não filho de D. Teresa, D. Afonso, no testamento de Múnio Viegas, pai de Egas Moniz (outro, diverso do aio), consta que no ano de 1128 já D. Afonso Henriques era senhor de Portugal. Até ao princípio desse mesmo ano parecia haver harmonia, mas as coisas precipitaram-se com a ideia do casamento; casamento nunca constado mas de certo modo provado, por exemplo, numa escritura de 1121 em que a presença de ambos é declarada. Mas causas mais graves há, um conluio entre os dois, como no texto de concórdia entre o bispo de Coimbra e o do Porto, o célebre D. Hugo, celebrada a cinco de Abril de 1122. Ambos assinam no livro da Sé de Coimbra, seguindo-se a rubrica dos senhores, “in praesentia Regina Tarasiae et Comitis Donni Fernandi, et Baronum Portugallensium”. Isto basta para testemunhar o casamento.
Quando D. Afonso Henriques desfere o golpe da sua ira é possivelmente quando Fernando de Trastâmara se arroga direito sobre o reino e a sucessão. Em 1131 há já uma filha; “Ego Comes Ferdinandus Paes filius Comitis Petri una cum filia mea nata de Regina D. Tereixa conf.”.
Mas a ambiguidade da situação persiste, e são várias as provas e contraprovas dessa união. Para que a cólera de D. Afonso Henriques se levante tão devastadora, chegando a perseguir a mãe como uma ré de alta traição, é preciso que alguma coisa ameace o príncipe e ponha em causa o seu reinado.
Há portanto uma filha do segundo casamento. Que projetos se desenrolam na falsa harmonia do Paço? Se D. Afonso Henriques não é de facto o filho de D. Teresa, se há testemunhas duma cabala que vai até ao crime, é preciso tomar medidas, e medidas profundamente arriscadas, impetuosas e até brutais. Sabemos que D. Afonso Henriques é um líder e que um líder não é um cavalheiro. E D. Teresa também não é muito escrupulosa em coisas de lealdade, porque os tempos não aconselhavam o coração senão para servir a vontade. A vontade era reinar. O efeito duma grandeza que cria a subordinação e a lisonja é fatal para a sensibilidade. Além do mais, Dona Teresa, como bastarda dum soberano, devia conjugar a avidez do poder absoluto com o direito de corrigir a genealogia. Nada se sabe da sua fisionomia, mas há a cópia duma litografia de Guglielmi, no livro de F. Fonseca Benevides Rainhas de Portugal, Lisboa 1878, que a mostra de bom parecer, possivelmente alta, de olhos negros e sobrancelhas marcadas e longas, como era próprio dos povos mediterrânicos. Bela, morena e voluntariosa, do tipo que se diria mouro; o que sugere talvez um cruzamento com uma princesa dos arraiais dum desses aliados dos cristãos com quem estes tinham episodicamente contratos de campanhas. Mas isso, o senhor Guglielmi é que sabe e fazemos fé nele.
Há prova de que D. Teresa, depois da morte do marido que a ultrapassava em muito na idade, foi senhora de Portugal até ao ano de 1127. Depois disso tudo mudou. Como filha do rei de Leão, ela tinha apoio e respeito. D. Afonso Henriques demorava a pedir-lhe contas da sua herança porque a tinha por segura e não lhe convinha abrir a cortina sobre o caso da sua deformidade de nascença e a maneira como foi curada. O povo podia confundir-se com o milagre, mas os homens de conselho, entre os quais bispos e abades, podiam mostrar desengano quanto à santidade do acontecimento de Carcare, onde se dera o prodígio. Alguma coisa sucedeu para que as relações entre mãe e filho fossem quebradas.
Sabemos que tinha nascido uma criança, uma menina, do casamento de D. Teresa com o conde de Trastâmara. Essa sim, era do seu sangue e da sua carne. É de crer que, com o andar dos anos, dezasseis de reinado absoluto, D. Teresa e o marido se propusessem dar à filha o direito de sucessão. O negócio de família decorrera no maior segredo e o conde D. Fernando tinha por seu lado o Fernandes de Trava, seu pai e praticamente toda a nobreza da Galiza. Mas Portugal tinha em sua defesa toda uma ala de capitães e gente de guerra que já se manifestara com êxito e valor quando da vinda do rei mouro Brasimi disposto a chegar às portas de Coimbra e conquistar a cidade. Percebe-se que a contínua acometida dos mouros trouxesse em cuidado Egas Moniz e o afastasse da sua quinta de Resende onde decorria a vida do infante miraculado. Alexandre Herculano põe-nos de sobreaviso sobre “os fundadores de antigas monarquias cuja vida foi desde o berço povoada de maravilhas e milagres pela tradição popular”. Mas temos que considerar a intenção dos poderes a quem convinha instaurar uma tradição, para assim melhor iludir e governar. Também é Alexandre Herculano quem afirma: “o amor cego da rainha por um homem alheio à província”, e aqui demonstra mais índole de romancista do que prudência de historiador. Não se pode assegurar a inclinação de D. Teresa pelo conde Fernão Peres, quando o que estava em jogo era a independência de Portugal e a sua soberania absoluta como rainha. Com a morte de D. Urraca sua irmã, crescem as suas ambições quanto ao senhorio do Condado Portucalense que nada mais era até então senão um campo de recontros entre fronteiros e mouros. O sentimento da nacionalidade emergia duma revolta de sete séculos, e não é sem motivo que D. Afonso Henriques foi chamado o Viriato cristão. Em D. Teresa esse sentimento não deixou de estar presente num coração onde batia o amor da mulher, mas também o desejo de se afirmar como soberana. O certo é que, depois da morte de D. Teresa, expulsa pelo filho, senão que aprisionada, o conde D. Fernando Trastâmara (ou Peres, como diz Herculano) numa exaração de doação de terras que ele faz à sé de Coimbra, tem para com sua mulher, ou amante, palavras de respeito e de emoção profunda. D. Teresa morre no primeiro de Novembro de 1130. Dia de Finados, já por si carregado de solenidade. Não tendo um reino, tem uma coroa de flores no reino dos morto.
(…)
Nos princípios de 1127, tendo D. Afonso ainda alguma boa paz com a sua mãe D. Teresa, lavrava já a conspiração contra o rei de Leão e mais diretamente contra a influência do conde Fernão de Trastâmara. A corte do falecido D. Henrique era fiel ao seu herdeiro direto, pelo que a sucessão parecia assegurada. D. Afonso VII, primo de D. Afonso, decerto avisado dos conluios portugueses para proclamarem um rei próprio, invadiu Portugal, em princípio com sucesso. Pôs cerco a Guimarães e obteve, com as forças que superavam as dos portugueses, uma declaração de vassalagem da parte de D. Afonso. Egas Moniz deu de penhor a sua palavra de que se cumpriria o tratado. Afonso VII levantou o cerco e retirou-se, fiado na honra de fidalgo que era Egas Moniz. Mas as coisas desandaram em franca hostilidade entre mãe e filho e, no ano seguinte, rebentava a revolução que teve desfecho na batalha de S. Mamede. É de supor que a vinda de Afonso VII com intuitos de confirmar os seus direitos sobre o condado portucalense, se devesse a uma queixa de sua tia D. Teresa, a qual não estaria em Guimarães, mas refugiada na corte de Leão. Em Guimarães decorriam as conspirações, talvez não completamente votadas pelo fiel Egas Moniz porque receoso de ver debatida a legitimidade do seu pupilo infante. Devia ser esta carta com que jogava D. Teresa. Egas Moniz apressou-se a selar um pacto com Afonso VII, não por lealdade mas por prudência.
Todavia, D. Afonso Henriques, na verdura da mocidade e irado pela demora da sua nomeação como senhor do seu território, declarou guerra a D. Teresa, pouco interessado se o fazia ou não segundo as regras da cavalaria. D. Teresa devia estar fora das terras de Portugal e ele ocupava o castelo de Guimarães com os seus fiéis. A oportunidade era preciosa e ele lançou-se para S. Mamede onde teve, primeiro, fraco sucesso. Foi ao ver que ele saía derrotado que Egas Moniz, mandando ao ar o seu juramento, o foi ajudar, obtendo a vitória.
Não cabe, neste interregno entre a vinda de Afonso VII e a batalha de S. Mamede, pouco mais do que um recontro de forças rivais, o episódio de Egas Moniz com a corda ao pescoço e a família descalça, para resgatar a sua palavra perante Afonso VII. Decerto isto pertence à lenda que se formou logo a partir do milagre de Cárquere. A verdade é que, aio ou pai verdadeiro de D. Afonso Henriques, ele o tinha criado para rei nos lugares de Resende, junto com aqueles que seriam os validos mais próximos e os guerreiros mais esforçados na nova corte portuguesa. Uma nota arrepiante fica no rodapé da História. Que foi feito da criança aleijada que Egas Moniz levou nos braços, arrebatando-o à sua ama D. Ausenda? Ama de leite, dizem os papéis, o que parece contraditório com os costumes de criação dum príncipe. Lembramos o episódio da dama de França, a quem a aia dum filho seu deu de mamar porque ela tinha fome e a mãe estava ausente. A mãe fez com que o menino vomitasse o leite, porque, não sendo parte do sangue nobre, podia para sempre infectar o infante de vícios plebeus.
É de crer que a tal ama-de-leite de D. Afonso fosse Ausenda Dias, mulher de Gosendo Alves a quem D. Teresa, em 1116, fez a doação da vila de Góis. Ela estaria na posse de segredos que a História não pode remover dos seus escombros. Tendo nascido D. Afonso por volta de 1110, é possível que a doação registada em nome de Ausenda Dias e seu marido Gosendo Alves tivesse o intuito de pagar serviços prestados, entre os quais a criação da criança misteriosa que Egas Moniz levou do castelo de Guimarães poucos dias depois de nascer.
É altura de citar Alexandre Herculano na sua melhor interpretação de romancista: “Há muitas vezes na História, ao lado dos factos públicos, outros sucedidos nas trevas, os quais, frequentemente, são a causa verdadeira daqueles, e que os explicariam se fossem revelados”. (9/9/07 20:07)
D. Afonso Henriques morreu em 1185, tendo governado 12 anos como Príncipe e 45 como rei. O cognome histórico “o Conquistador”, teve origens nas muitas conquistas por ele alcançadas. Foi o fundador do Reino de Portugal. Aquando da sua morte, os mouros dominavam apenas o território que hoje é o Algarve.
(Seus restos mortais encontram-se num monumental mausoléu manuelino, no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, ao lado de sua mulher e de seus filhos D. Sancho l e D. Afonso ll.
Os antigos livros de linhagens do século XlV são as principais fontes de descrição dos factos ocorridos nos Primórdios da Nacionalidade, em que se relatam episódios bastante pitorescos. Um deles acontece nos tempos de Afonso Vll de Leão, em que o conde Mem Soares andava desavindo com um cunhado pela posse da vila de Novelas. O rei nomeou Mem Soares adiantado-mor à do mesmo na região de Portugal. Aproveitando-se desta autoridade foi a Novelas e, enquanto o cunhado dormia na companhia de mais sete fidalgos, arrancou-lhe os olhos. Mais tarde, um cavaleiro vassalo dos um dos condes cegos acabaria por matar Mem Soares. Muitos anos depois, sendo D. Afonso Henriques já rei de Portugal, foi visitar o conde D. Gonçalo de Sousa à sua quinta de Ulhão. Enquanto o anfitrião preparava o jantar, o rei Conquistador, fazia amor com a condessa.
O marido voltou com cara de poucos amigos mas limitou-se a dizer: “Levantai-vos que a comida já está pronta”. Enquanto comiam o conde mandou tosquiar a mulher e devolveu-a aos pais montada numa azémola (burra).
D. Afonso Henriques não escondeu a sua reprovação e dirigindo-se para o conde, afirmou: “D. Gonçalo por menos que isto, um adiantado de meu avô cegou sete condes!”.
Retorquiu o conde: “Cegou-os a torto e morreu por isso”.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal~

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