Trajes Poéticos - RIMA EQUÍVOCA

rimas feitas quando os versos terminam com a mesma palavra, mas com significado diferente.

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os poemas publicados aqui participaram do concurso Trajes Poéticos realizado pelo Clube de Poetas do Litoral - salvo os poemas dos autores cepelistas que são os julgadores do concurso.


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Atenção: O POEMA TEM QUE TER NO MÁXIMO 15 VERSOS  - TEMA LIVRE


Sessão de fotos
  
A modelo atua em pleno set
O foco do flash a submete
Em cena, ao cruzar a porta
Incontáveis adornos porta
Incontáveis sorrisos alista 
para a capa da revista

A cantora atua em cena
A melodia a deixa plena
Os músicos tocam num canto
Ela, ao centro, trina seu canto
E em caras e bocas se vê
para a capa do CD

Vieira Vivo - cepelista

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Momento fugaz

Na alameda clara e florida
Ouvindo o som de minha passada
Relembro minha vida passada
Sinto o perfume de flores
Admiro o voo das borboletas
Em um balé belo e harmonioso.
Caminho mais um pouco
Em um momento fugaz
Vivo minha verdadeira paz...

Maria Angela Manzi da Silva

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AMOR QUEBRA
O amor que em todo azul circulas
Te penetra fundo sem firulas.
Quando é um que sente, é feito poste
Que tomba sózinho, embora poste
No correio da alma sua carta
De dissimulado tom que enfarta.
Quando dois o sentem sendo UM,
São dois que o sofrem, sem nenhum
Medo do que assusta, como um cais
Para ancorares quando cais.


...Embora não sintas, amor quebra.

Natan de Alencar

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Caminho de Casa
Peguei o caminho
E, enquanto caminho:
sonho.
Sentia-me livre
Mas que Deus me livre
De meu sonho:
afoito.

Thais Pereira

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HESITAÇÃO

Penso que ainda é cedo,
pois se a este desejo cedo…
Não sei! Tenho medo…

Afinal, no jogo da paixão,
se quero manter-me são,
ímpeto e furor não são
bons motivos de decisão.

Edweine Loureiro


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Operário

Sobre o teto da construção
Homens  labutam sem parar
Carregam aços, pedras e concretos
Dores e suores, pesos concretos
Erguem muros de  sonhos etéreos
À noite repousam o corpo moído
E amanhã recomeçar
Pão e café de manhãzinha
Ao meio dia comem quentinha
Sob a sombra  sempre quentinha
Enganam as tripas com carne seca, feijão e farinha.

Valquiria Imperiano



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Pesquisa no sítio

Como estava inspirado

Logo me vi ali deitado
Ao balançar-me na rede
Acessando a minha rede
Conversando com amigos
Longe de qualquer perigo.

No sítio da vizinhança

Aonde há tanta bonança
Fui beber água na fonte
Antes pesquisei na fonte
Qual era sua origem
Vê se não tinha fuligem.


Aurineide Alencar

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Quarto dos fundos

Sereias louras invadem o quarto...
Sou todo mar ou resta-me um quarto?
Acordo e dou com a cara no telhado...
Por que, meu Deus, não morri afogado?

Sereias louras dizem ao pé do ouvido
coisas que eu queria ter olvido.
Minhas verdades, naus submergidas...
O meu baú de orações antigas...

Polvos gigantes, cavalos marinhos...
Serão poemas ou serão golfinhos?
Sereias louras - ah, com elas luto!
Tubarões negros já ensaiam luto.


André Foltran
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SALADA DE FRUTA

Caiu na minha cabeça uma goiaba
me deixando assim meio goiaba.
Era uma segunda-feira
e me vi ali, de bobeira, fazendo a feira
dessa vida assim tão atrevida:
com a maçã
do rosto tão vermelha quanto a maçã
do amor,
buscava a metade da minha laranja,
descascava os meus abacaxis,
escorregando sempre em cascas de banana.
Como não sou nenhum laranja muito menos um banana,
vou acabar de vez com essa salada de fruta de problema,
resolvendo logo o pepino de equívoca rima
e fazendo o que tanto me anima: escrevendo mais um poema.

Geraldo Trombin
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Assim é a vida!

Gosto de ti , porque gosto
Mesmo quando não tens o mesmo gosto
Afinal o meu caminho
Nem sempre é seguro quando caminho
Vale a pena aprender
E sempre atender
À voz que vem d’alguém
  
Ilda Pinto Almeida

 Agosto, 20/2013

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Purificação

 Se pudesse a sujeira interna tirar,
Como costuma a sujeira da roupa lavar,
seria mais feliz,
seria mais completa,
seria mais pacífica,
seria mais humana.

Porém, é como se estivesse suja de terra,
suja da terra do planeta Terra.
Não consegue sorrir;
não consegue brincar;
não consegue a bons lugares ir;
não consegue, por nenhum lugar deste mundo, caminhar.

Valéria Rodrigues Florenzano
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Rotina
  
Como a rotina do teu dia anda?
Você que pela vida anda...
Nas calçadas coloridas do jardim?

Nas festas alegres que tem dança
A vida na rotina também dança?

Thereza Ramalho Figueiredo - cepelista
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Tímidos abraços

 Trago minh’alma partida
os olhos contém o choro
no entanto o pranto que choro
é por sentir a partida
tento manter o decoro
então seu nome decoro.

Tento controlar o passo
sentindo do tempo o passar.
Vejo a juventude passar
omito a tristeza que passo
há esperança em cada canto
em cada verso que canto.

Olímpio Coelho de Araújo - cepelista
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Casamento

Pessoas andam depressa na rua,
Para ver a noiva que se casa,
Só depois que ela entrar em sua casa
Receberá do marido uma surpresa.
Então que o padre seja breve
E não demore muito a cerimônia.
Andorinhas do beiral da igreja
São as primeiras a ver a noiva
Sair do carro com singeleza
E seu pai orgulhoso leva
A bela noiva pela longa nave,
Ante os olhos de uma leva de convidados

Marly Barduco Palma - cepelista

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Nasci e cresci na selva.
Não sinto falta de gente.
Se, um dia, perder meu mato,
juro por Deus que me mato.
Para não perdê-lo eu luto.
E assim evito esse luto.

Ludimar Gomes Molina - cepelista

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VERSO EM CHAMA

 No calor daquela vela
amarela, ardendo em chama,
na prece alguém ele chama
que lhe parece a mais bela
E vai queimando essa chama
e ele só, vigia e vela.

Então ele faz um verso
perfeito na rima, na forma.
No papel o verso se forma
bem mais lindo que o Universo.
Essa é a mais linda forma:
dar amor pelo seu verso.

Deise Domingues Giannini - cepelista

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A ESPERA

    Para ouvir tão lindo canto
    Muito andou por todo canto
    Ansioso ele espera
    Que levantem as cortinas!

    Lindos e tão concentrados
    Estão muito bem orquestrados
    Com a bata cor coral
    Inicia-se o coral.

    Logo na primeira nota
    O gentil amante nota
    Que a doce voz esperada
    Tem lindos sons da alvorada!
  
    Edite Rocha Capelo - cepelista

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Cenas de guerra

 Trago esperança e o meu abraço...
Ferido ou não, consolo e abraço...
Por todo lado, horror e iniqüidade.
Nos campos, desolação,
Nas cidades, destruição.
Paira silencio aterrador...

Sofridos recrutas chegam aos montes,
Cambaleantes de todos os montes.
Os mais combalidos, em sono profundo
Em sangue se esvaindo...
Ao longe, um solitário a rogar
Por clemência e paz.

Clara Sznifer - cepelista

Comentários

Hilda Curcio disse…
Cláudia, que sítio cultural é esse, adoro acompanhar esse concurso, muito bom. Poemas excelentes, deve ser difícil decidir, não queria estar na pele dos julgadores. Parabéns pela empreitada.
Cinthia Kriemler disse…
Gostei muito do poema da Rosana Banharoli. Disse com pouco, mas disse tudo e disse muito bem.
Edmundo disse…
Nossa como gostei desse poema da Aurineide Alencar, ela falou com palavras simples, mas de uma forma que todos possamos compreender a ideia central a ser passada! muito legal mesmo! ;-)
Que bom Edmundo que tu gostou do poema! Graças a Cláudia Brinno é que temos a oportunidade de apresentarmos nossos humildes talentos.
Cris Dakinis disse…
Parabéns, Valquiria Imperiano!
Bonito "operário" - poema merecedor :)