Trajes Poéticos - RIMA AMPLIFICADA

rimas em que a primeira palavra de um verso deriva-se da última palavra do verso anterior, amplificando-a.



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os poemas publicados aqui participaram do concurso Trajes Poéticos realizado pelo Clube de Poetas do Litoral - salvo os poemas dos autores cepelistas que foram os julgadores do concurso.

O Ócio


O convite que ora faço

É para a vida celebrar
Celebrando a vida, afastamos a morte
Deixando a alegria se instalar.
Antes do amor, o corpo busca energia,
energizando-se com frutas e delícias.
Um vinho tinto para o gozo apimentar
E um branco se o cansaço chegar.

Clara Sznifer - cepelista

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RIMA AMPLIFICADA



Vem letra simples.

Unida a outra.

E mais outra.
Avoluma-se em um crescente.
Crescendo se agiganta.
Vem a frase.
Com crase.
Que classe.
Estilo.
Amplifica-se.
Amplificando o fonema.
Vem ela a rima.
Rimando entre versos.
Embeleza a folha.
Fantasias.
Devaneios.
Desejos.
Paixões.
E ela se achando.
Acha-se agora em prosa.
Nervosa.
Sorvida.
Provada.
Palavra.
Simplesmente.
Fonema.
Rima Amplificada.

Claudio Carmo  (Vencedor do concurso Trajes Poéticos)
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PERDÃO



Ei, eu te perdoo!

Perdão lhe entrego, sem questionar 
Se meu verso for vago para ser aceito,
aceite, assim mesmo, sem protestar.
Não há motivo para indiferenças vazias,
quando o amor grita, pestaneja...

Não chore,
choro de dor,
o pior é momentâneo,  
partiu e não vai voltar,
volte as lembranças boas para onde estavam.
O coração da sua doce criança irá te abrigar...

Thais Lemes Pereira

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Chocolate
   
A escura calda no pote se derrama
derramando a clara como a sobrepor-se
e a mistura do cacau extasia e me chama
ao momento, antes amargo, agora tão doce,
adoçando a vida e lhe dando sabor.
Saboreando então como se fosse
um chocolate que reage ao estupor,
delicio-me no tablete bicolor.

Deise Domingues Giannini - cepelista
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PORCELANAS DE ORVALHO

Quando subimos o olhar prodigioso

E ao longe as aromatizámos,

Sentimos a tal correlação

Que se viria a revelar benévola
E que muitas vezes nos forneceu
O firmar da arte desirmanada.

Esse silêncio que nos intacta,
Dilacerou-nos o racionalizar,
Racionalizando-se no austero,
Abandonando-nos, dementes,
Perante tal excelência singular.

Esses desertos,
Essas areias secas,
Secando esses pós mortos
Que ressuscitam
E florescem
Na incomensurabilidade
De impugnações,
Não se alcançam
Alcançando dominar.

E…

São engenho
Que embute,
São faísca
Que atinge,
São sabor,
Que tolhe,
São perfeição,
Que permanece.

Francisco Grácio Gonçalves  


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Ah! Este banquete que me deleita!
Este licor que minha alma alimenta.
Alimentando minhas fraquezas.
Enfraquecendo minhas fortalezas.
Este pecado divinal a que me entrego
Entregando de bandeja o meu prazer

À minh’alma  que no prazer se deita!

Ludimar Gomes Molina - cepelista
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Lembranças perdidas                      

Queria querer
Querer eu queria

Esqueci de querer
Esqueci que queria

Queria lembrar
Lembrei que esquecia

Esquecia o presente
Lembrei o passado

Esqueci um tempo
Esqueci onde ia

Lembrei que amei
Mas esqueci o dia

ValquiriaImperiano

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Deleite

Oh! Benesse dos sentidos!
Supremo paladar de iguarias
sorvendo líquidos e sólidos
solidificando o encanto
de degustar finos néctares
Oh! Regozijo do sentir!
Amplos sabores saboreando

claras e escuras delícias

Vieira Vivo - cepelista 
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VITALIZANDO CONTRÁRIOS

Não quero a vida insincera,
sinceridade é o que quero,
querendo que cada fera
ferocidade supere,
superando seu inferno,
infernizado e interno,
internalizando o belo,
embelezando o diverso,
diversificado em verso
versificado e vital,
vitalizado em contrários,
contrariando irreais,
realizando o ser vário.

Natanael Gomes de Alencar
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A Menina

existe a menina
habita-me com sede
sedenta de histórias

curiosa da vida encanta
encantada por magia
e tudo que espanta

teme o desconhecido
a dor assusta
assustada chora

eu apenas olho
olhando espero
vai passar

Benette Bacellar
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Deixe
Quero saber seu nome
para escrevê-lo dentro do peito
somente para deixar no eterno,
eternizando assim o que considero perfeito:

Um coração emaranhado
emaranhando vai ficando cada vez mais
no carretel do desejo.

Pamela dos Santos Gomes
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Quero

quero o sabor
saboreando o beijo...
assim quero
querendo os lábios seus.

pois de tanto querer
fico imaginando
o que posso mais querer
desse afeto meu.

Jorge Nascimento
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RATOEIRA

A vida corre, corre, corre.
Correndo você tenta acompanhar os seus passos,
mas logo em descompasso entra,
entrando assim em colapso.
Num lapso de tempo tudo se perde,
perdendo o tempo do seu ontem, do seu hoje e até do seu amanhã.

A vida rói, rói, rói,
roendo vai as unhas dos seus dias,
dos seus queijos, dos seus lampejos, dos seus beijos.
Beijando o ar você tenta, tenta e tenta,
mas seu sonho não se alimenta, não se sustenta.
Não dê bobeira! É uma ratoeira!

A vida é danada, engana, mente,
mentindo veementemente todos os seus acertos,
acertando inclemente bem no coração dos seus erros.
Errante, você segue, você vai, você se esvai!

A vida só corre, corre, escorre,
Não se sabe para aonde.
Quando mais se precisa, ninguém socorre.
Socorro! Socorro!
Coitada: a vida também morre!
E com ela, com você, eu também morro!

Geraldo Trombin

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 CINEMA

Apagam-se as luzes,
iluminando-se a tela
com histórias que seduzem.
Sedutor, o projetor:
projetando sonhos
a quem nunca os realizou.

Edweine Loureiro - Saitama / Japão

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