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Trajes Poéticos - GAZAL


  - gênero de poesia dos persas e dos árabes, estruturado em dísticos. Composto de quatorze versos ligados por rima, sendo que na 1ª estrofe as rimas se repetem e depois aparecem somente no 2º verso de cada dístico.

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os poemas publicados aqui participaram do concurso Trajes Poéticos realizado pelo Clube de Poetas do Litoral - salvo os poemas dos autores cepelistas que foram os julgadores do concurso.


ESPERANÇA
 
Tal qual uma bandarilha
sinto no peito uma cilha

que vem sem dó, sem piedade
e em mim crava e me fervilha.

Bate tanto no meu peito,
que me dói e tanto humilha

e eu no fundo da alcova
guardo comigo a mantilha

que um dia me deste então.
Mas o Sol que tanto brilha

te trará com alegria
sem arma e sem armadilha,

para eu viver o "b" "a" "bá"
da minha nova cartilha.

Deise Domingues Giannini - cepelista
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A neopoesia é uma liturgia,
conta com a época e a tecnologia,

projeta a chuva, o sol, e a euforia,
é a própria meteorologia,

rega sementes em campo estéril,
onde já não há agrologia,

quem me dera ser um ramo,
rente aos pés da sua magia,

ou quem sabe os versos plácidos,
em seus dias de orgia...

Há quem negue a sua essência,
por ser prudente em sinergia,

entretanto não lhe calam,
por ser a nova ideologia.

Sir Edison Gil

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 Modificança

Havia em mim uma sentença
Com a qual tive desavença

Não permito me prender
não deixo que vire doença

Encontro caminhos saída
Se não, eu peço licença

Em atalho me  desvio
Depois volto e marco presença

Sentença nenhuma pode impedir
Que eu mantenha minha crença

Por isso até o meu nome
mudado foi do de nascença

Foi passo de decisão
Hoje colho recompensa

Bilá Bernardes

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DESFAZENDO-ME

Não mais em ti me desfiz
É o meu coração que o diz

Não está no seu corpo o meu verso
nem o remédio para eu ser feliz

Tenho uma vida pela frente
E ondas em encontro sutis

Dizem-me sobre este momento
e ne-le aquela que não me quis

Irá ter suas amarguras
A mercê do grande juiz

Querendo distância da solidão
Viverei de momentos febris

Ao lado de alguém que aceitar
Que em mim cresça a arte de Hafiz.

Celso Correa de Freitas

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GAZAL DA DOR

Por causa de amor magoado,
Trago o destino marcado.

Cicatriz no coração
Dói tanto que fico inchado.

Quando eu vejo minha amada,
Fico tão fragilizado!.

Pena que ela não quer papo,
Me tornando um rejeitado.

Pena que não sou bonito
Como ator bem maquiado.

Ando qual torto albatroz,
Quando no óleo banhado.

Mas no ar a minha voz
Faz da dor verso en(cantado).

Natanael Gomes de Alencar

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LIVROS

Se estou entediado,
leio o irônico Machado.

Ou navego pelos mares
do lirismo de Amado.

Posso visitar a Hatoum
e seus órfãos do Eldorado.

Ou encontrar, num quarup,
a um mestre sábio e callado.

Não me importa se vivo
um sonho emprestado

ou se o prazer da leitura
possui um tempo limitado.
O que vale é que nos livros
eu me sinto realizado.
Edweine Loureiro – Saitama/ Japão

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PERDA

Tenho em mim boa lembrança
Dos meus tempos de criança.

Quando a mesa, de tão farta,
Instigava a comilança.

Comia doce à vontade
Sem dar bola pra balança.

Eu só pensava em brincar,
Nunca, jamais, em finança.

O sorriso despontava,
Da alegria era a herança.

Mas, que pena, a gente cresce,
E logo vem a mudança.

Perde-se no tempo a infância
E com ela a esperança.

Geraldo Trombin (Vencedor do concurso Trajes Poéticos)

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Cabeça de Criança

Era então de idade tenra e bela
Quando ouvi falarem "requenguela"

Em tom de forte origem materna
— Nem ideia eu fazia dela.

Imaginava em reino distante
Governado por um rei banguela

Ou qualidade de requeijão
Extraído de vaca donzela.

E todo sentido tinha som
Justificável em corruptela.

Um dia o significado
Lançou-me qual cavalo da sela:

Palavra era "esmaecido"
"Imperfeito", sem cor: requenguela.

Madeleine Alves

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Martírio

  
Lorca, este gazal é um louvor
A quem tanto se destroçou por amor
 
Brilho de tua Granada, tão amada, não mais,
Nos seus prados e vielas, muita dor.

Águas límpidas de musgo cobertas,
Só bebias cá e lá, dissabor.

O menino que teus braços acolhiam
Evadiu-se como beija-flor.

Em silencio sofreste desdém,
Só os céus ouviram o teu clamor.

Vida tão intensa em fração pequena
De pesadelos num coração perdedor.

Hoje o povo que te humilhou
Colhe pérolas mágicas de um sonhador.

Clara Sznifer - cepelista

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O SOL

O sol que me hipnotiza
Faz tornar-me poetisa

Colorindo a alvorada
Belo dia preconiza.

Quer cegar-me com seus raios
Mas seu brilho me enfatiza.

Já reflete- nos mares
O espelho da água o narcisa.

Com o seu belo esplendor
Transpira e se descamisa.

Colore a nuvem branca
E ela se escandaliza.

Anoitece se despede
Suado lá na divisa.

Edite  Capelo - cepelista 

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SINA

Sina triste o caminhar
de quem ousa enveredar

Pela estrada tortuosa
dos vícios e jogos de azar.

A armadilha é das drogas
e a rede é para matar

Levam a vida no auge
Deixam algo por terminar

Arrasam, deixando sempre
família e amigos a chorar

Não há mais som de música
Apenas choro no ar

Ficou preso na garganta
um eco frio a amargar.

Kedma O'liver - cepelista
  
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Soltando o grito da garganta
minha alma se agiganta.

Ela me liberta dos grilhões.
A paz, então, se implanta.

Eu chego a sentir o calor
da Nossa Virgem Santa.

Aquecendo o meu ser
por meio de sua manta.

Minha fé só aumenta.
Minha fé que já era tanta.

Minha graganta silencia.
Meu corpo todo se encanta.

Eu mudei o meu destino
soltando o grito da garganta.

 Ludimar Gomes Molina - cepelista

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Promessa

Eu gosto do meu nome,
também do meu sobrenome,

ele é muito sonoro,
tem até “Ypisilone”.

Promessa de minha mãe
á meu pai num dia insone,

quando acordava com pressa,
pegou logo o telefone.

Discou o numero errado,
Ela o chamou de “Alcapone”.

Então travou-se o duelo,
Entre o “i” e o “Ypisilone”.

Meu pai já muito irritado,
Gritou:- “Com Ypisilone”!

Marly Barduco Palma - cepelista

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Luta

Nos meandros desta vida
vou travando luta renhida.

A cada batalha que enfrento
com a alma estarrecida.

Não importando o memento
imponho ação destemida.

Só descanso o esqueleto
se tenho a luta vencida.

Imaginar a derrota
é ideia descabida.

O mudo é dos mais fortes
aos fracos cabe a saída.

Ao guerreiro à vitória
na batalha pela vida.

 Olímpio Coelho de Araújo - cepelista

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Mágoas
 
Você que não me quis,
É o que você me diz!

Agora que eu notei
O amor que não me quis!

Deixei de sentir teu olhar.
O que será que eu fiz?

As mágoas que eu tenho
não são as mágoas que eu quis.

De ti só tenho lembranças
Quando me olhas e sorris.

Por que te fostes tão cedo?
E o beijo com sabor de anis?

Do amor só tenho mágoas,
Da vida, sou muito infeliz!

 Thereza Ramalho Figueiredo - cepelista

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Gazal da flora

Farei um gazal agora
falando do mundo afora

das belezas, das floragens,
dos montes, fauna e flora

Mostrando nestes versos
o que minha alma adora:

O reflorir da paisagem
beleza que nos aprimora

A alma que de tão sensível
se alonga e se aflora

Além desses momentos
onde tudo revigora

Ofertando a renovação
em sua múltipla aurora

Vieira Vivo - cepelista

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